segunda-feira, 2 de abril de 2012

O Fenômeno Mediúnico



Autor: Manoel Philomeno de Miranda (espírito) / psicografia de Divaldo Franco

O fenômeno mediúnico, para expressar-se com segurança, exige toda a complexidade do mecanismo fisiopsíquico do homem que a ele se entrega, assim como da perfeita identificação vibratória do seu comunicante.

Para o desiderato, o perispírito do encarnado exterioriza-se em um campo mais amplo, captando as vibrações do ser que se lhe acerca, por sua vez, igualmente ampliado, graças a cuja sutileza interpenetram-se, transmitindo reciprocamente os seus conteúdos de energia, no que resulta o fenômeno equilibrado.

Às vezes, automaticamente, dá-se a comunicação espiritual, produzindo o fato mediúnico, ora por violenta injunção obsessiva e, em outras oportunidades, por afinidades profundas, quando a ocorrência é elevada.

Seja porém, como for, sem o contributo e a ação do Perispírito, a tentativa não se torna efetivo.

Desse modo o conhecimento do Perispírito é de vital importância para quantos desejam exercitar a mediunidade colocando-a a serviço de ideais enobrecedores.

Penetrabilidade, elasticidade, fluidez, materialização, depósito das memórias passadas entre outras oferecem compreensão e recurso para melhor movimentação dessas características, algumas das quais são imprescindíveis para a execução da tarefa, no fenômeno de intercâmbio espiritual.

A fixação da mente, através da concentração, proporciona dilatação do campo perispirítico e mudança das vibrações que variam das mais grosseiras às mais sutis a depender, igualmente, do comportamento moral do indivíduo.

O pensamento é o agente das reações psíquicas e físicas, sem o que, os automatismos desordenados levam aos desequilíbrios e aos fenômenos mediúnicos perturbadores, que respondem pelas obsessões de variada nomenclatura, que aturdem e infelicitam milhões de criaturas invigilantes e desajustadas.

Todo fulcro de energia irradia-se em um campo que corresponde à sua área de exteriorização, diminuindo a intensidade, à medida que se afasta do epicentro. Graças a isto, são conhecidos os campos gravitacional e atômico, no macro e microcosmo, conforme os detectou Albert Einstein.

Na área psicológica não podemos ignorar-lhe a presença nas criaturas, gerando as simpatias - por decorrência de afinidades vibratórias entre as pessoas que se identificam - e a antipatia - que deflui do choque das ondas que se exteriorizam, portadoras de teor diferente produzindo sensações de mal-estar.

Invisível, no entanto preponderante nos mais diversos mecanismos da vida, o campo é encontrado no fenômeno mediúnico, através de cuja irradiação é possível o intercâmbio.

Cada ser humano, encarnado ou não, vibra na faixa mental que lhe é peculiar, irradiando uma vibração especifica.

Quando nas comunicações, os teores são diferentes, a fim de produzir-se a afinidade, o médium educado sintoniza com o psiquismo irradiante daquele que se vai comunicar, e se este é portador de altas cargas deletérias, demorando-se sob vibrações baixas, o hospedeiro permite-se dela impregnar até que, carregado dessas energias pesadas, logra envolver-se no campo propiciador, portanto, de igual qualidade, cedendo as funções intelectuais e orgânicas à influência do ser espiritual que passa a comandá-lo, embora sob a sua vigilância em Espírito, que não se aparta, senão parcialmente, do corpo.

Quando se trata de Entidade portadora de elevadas vibrações, mais sutis que as habituais do médium, este, pelas ações nobres a que se entrega, pela oração e concentração, em que se fixa, libera-se das cargas mais grosseiras e sutiliza a própria irradiação, enquanto o Benfeitor, igualmente concentrado, condensa, pela ação da vontade e do pensamento, as suas energias até o ponto de sintonia, proporcionando o fenômeno de qualidade ideal.

Em casos especiais, nos quais seres muito elevados ou grotescos, nos extremos da escala vibratória compatível com a Vida na Terra, vêm-se comunicar, os Mentores, que mais facilmente manipulam as energias, tornam-se os intermediários que filtram as idéias e canalizam-nas em teor mais consentâneo com o campo do sensitivo, ocorrendo o fenômeno da mediunidade disciplinada.

O fenômeno mediúnico, portanto, a ocorre no campo de irradiação do Espírito através do Perispírito, está sempre a exigir um padrão vibratório equivalente, que decorre da conduta moral, mental e espiritual de todo aquele que se faça candidato.

Certamente, como decorrência do campo perispiritual, diversos núcleos de vibrações, nos quais se fixa o Espírito ao corpo, bem como em face do mecanismo de algumas das glândulas de secreção endócrina, apresentam-se as possibilidades ideais para o intercâmbio espiritual de natureza mediúnica.

Assim havendo constatado, foi que o Codificador do Espiritismo com sabedoria afirmou que a faculdade "é simplesmente uma aptidão para servir de instrumento, mais ou menos dócil aos Espíritos em geral que "os médiuns emprestam o organismo material que falta a estes para nos transmitirem as suas instruções".

Revista Presença Espirita setembro de 1991, psicografia de Divaldo Pereira Franco.

sábado, 24 de março de 2012

MELINDRE OU AGRESSIVIDADE?


Melindre tem várias definições. Pode ser definido como amabilidade, delicadeza no trato, recato, pudor.
No entanto, é quase certo que ao ser utilizado pelas pessoas, o conceito que expressa é de facilidade de se magoar, de se ofender, suscetibilidade.
Nesse sentido, tem sido comum a sua invocação, nas relações humanas. As menores atitudes de um funcionário, de um amigo recebem a adjetivação imediata.
Por isso, amizades se diluem, desentendimentos acontecem, duplicando mágoas de um e de outro lado.
Nas várias facetas do trabalho voluntário, melindre tem sido utilizado para justificar defecções, traições, desajustes e quebra moral de contratos de voluntariado.
Que ele existe, é verdade. Mas que as pessoas se dão, por vezes, um valor maior do que verdadeiramente possuem e aguardam tratamento especial, também é verdade.
No entanto, um outro lado da questão se apresenta e tem sido esquecido, quase sempre.
Se melindre é a manifestação do orgulho ferido, não menos verdade que medra, entre as criaturas, muita falta de tato, delicadeza e gentileza.
Em nome de uma falsa caridade, de expressar a verdade, amigos e companheiros de trabalho se permitem lançar ao rosto do outro tudo que pensam.
E não medem palavras nas suas expressões. É como se tomassem de pedras e as jogassem, sem piedade.
E o que esperam é que o outro aceite tudo. Quando o agredido se insurge, quando toma uma atitude, quando fala de respeito, é tomado como aquele que se melindra.
Contudo, em nenhum momento o agressor, aquele que foi indelicado e feroz, se desculpa. Não, ele está certo. O outro é que é portador de muito orgulho.
Nesse diapasão, vidas honradas de trabalho têm sido literalmente jogadas no lixo. Servidores de anos têm tido seus esforços depreciados, como se fossem coisa alguma.
E o que critica maldosamente, o que aponta os erros mínimos é o herói, a pessoa correta.
Refaçamos os passos enquanto é tempo. Antes de destruirmos valores afetivos preciosos. Antes de atacarmos instituições centenárias com folha irrepreensível de dedicação e serviço à comunidade.
Examinemos quantas vezes a culpa nos compete. Quantas vezes teremos sido nós os provocadores do afastamento de pessoas de nosso convívio.
Ou da instituição a que prestamos serviço. Da nossa família, da nossa esfera de amizades.
Recordamos que, certa vez, em reunião de trabalho, um voluntário interrompeu de forma agressiva a fala do coordenador.
Reclamou e reclamou, ferindo e humilhando-o frente aos demais.
O ferido se calou, dolorido. Depois de alguns dias, procurou o agressor em particular. A sós com ele, expressou a sua mágoa, com o sincero objetivo de modificar a emoção ferida e apaziguar seu mundo íntimo.
O interlocutor, em vez de reconhecer a indelicadeza, reverteu a situação e deu o diagnóstico impiedoso: não houvera agressão de sua parte. O outro é que se melindrara.
Pensemos nisso. Será que a constatação quase diária de melindre nos outros não se tornou uma válvula de escape para nós?
Uma desculpa para a nossa rispidez cotidiana, o nosso relaxamento no trato com o semelhante?
* * *
Quem se melindra, deve trabalhar para se tornar menos suscetível.
Mas quem provoca o melindre não pode se esquecer da lei de caridade, da afabilidade e da doçura preconizados por Jesus: Bem-aventurados os mansos e pacíficos.

Redação do Momento Espírita com base em fato narrado no artigo O problema do melindre, de André Marcílio Carvalho de Azevedo, da Revista Presença Espírita nº 261, ed. Leal

terça-feira, 6 de março de 2012

Obsessão e Evangelho




A quem diga que o Espiritismo cria obsessões na atualidade do mundo, respondamos com os próprios Evangelhos.

Nos versículos 33 a 35, do capítulo 4, no Evangelho de Lucas, assinalamos o homem que se achava no santuário, possuído por um Espírito infeliz, a gritar para Jesus, tão logo lhe marcou a presença: “que temos nós contigo?”. E o Mestre, após repreendê-lo, conseguiu retirá-lo, restaurando o equilíbrio do companheiro que lhe sofria o assédio.

Temos aí a obsessão direta.

Nos versículos 2 a 13, do capítulo 5, no Evangelho de Marcos, encontramos o auxílio seguro prestado pelo Cristo ao pobre gadareno, tão intimamente manobrado por entidades cruéis, e que mais se assemelhava a um animal feroz, refugiado nos sepulcros.

Temos aí a obsessão, seguida de possessão e vampirismo.

Nos versículos 32 a 33, do Capítulo 9, no Evangelho de Mateus, lemos a notícia de que o povo trouxe ao Divino Benfeitor um homem mudo, sob o controle de um Espírito em profunda perturbação, e, afastado o hóspede estranho pela bondade do Senhor, o enfermo foi imediatamente reconduzido à fala. Temos aí a obsessão complexa, atingindo alma e corpo.

No versículo 2, do capítulo 13, no Evangelho de João, anotamos a palavra positiva do apóstolo, asseverando que um Espírito perverso havia colocado no sentimento de Judas a idéia de negação do apostolado.

Temos aí a obsessão indireta, em que a vítima padece influência aviltante, sem perder a própria responsabilidade.

Nos versículos 5 a 7, do capítulo 8, nos Atos dos Apóstolos, informamo-nos de que Filipe, transmitindo a mensagem do Cristo, entre os samaritanos, conseguiu que muitos coxos e paralíticos se curassem, de pronto, com o simples afastamento dos Espíritos inferiores que os molestavam.

Temos aí a obsessão coletiva, gerando moléstias-fantasmas.

E, de ponta a ponta, vemos que o Novo Testamento trata o problema da obsessão com o mesmo interesse humanitário da 
Doutrina Espírita.

Não nos detenhamos, diante dos críticos contumazes.

Estendamos o serviço de socorro aos processos obsessivos de qualquer procedência, porque os princípios de Allan Kardec revivem os ensinamentos de Jesus, na antiga batalha da luz contra a sombra e do bem contra o mal.

Emmanuel
Extraído do livro “Seara dos Médiuns”
Psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier

PROCESSOS REENCARNATÓRIOS



TIPOS DE REENCARNAÇÃO


O autor espírita Carlos T. Rizzini, na obra ‘Evolução para o Terceiro Milênio’, classifica a questão dos tipos de Reencarnação em três:Compulsória, Proposta e Livre, conforme vemos, a seguir:


1. Reencarnação Compulsória: É aquela que acolhe o Espírito sem prévia concordância dele e até mesmo sem o seu conhecimento. É por sua índole, própria dos Espíritos cujo grau de perturbação impede análise clara da situação, ou cujas faltas são tão graves que anulam a liberdade de escolha. É uma imposição feita pela Lei Divina para atender aos casos cuja recuperação exige longas expiações.

2. Reencarnação Proposta: É aquela que leva em consideração o livre-arbítrio relativo de que dispõe o Espírito. Mentores Espirituais estudam, sem imposição, seus débitos e méritos, programando em seguida os principais acontecimentos da próxima existência física, tendo em vista a liquidação ou diminuição de dívidas e possibilidades de progresso moral e espiritual.

3. Reencarnação Livre: É aquela que é própria dos missionários, Espíritos redimidos perante a Lei Divina ou próximos da redenção no plano terreno. São os que possuem ampla liberdade de escolha. Chegam ao plano material para o desempenho de tarefas elevadas em qualquer segmento do conhecimento humano, tanto nas ciências como na filosofia ou religião. Neste último, tornam-se: Um Sócrates; um Buda; um Krishna, e, notadamente, Jesus de Nazaré.

Temos ainda a:

Reencarnação Acidental: Há circunstâncias diversas que promovem a alteração no planejamento reencarnatório, que pode ocorrer sem o detalhamento necessário nos casos de reencarnações acidentais. A fecundação não estava prevista. Ocorre uma união sexual fortuita. O espírito que esteja próximo ao casal será “atraído” pelo óvulo fecundado. Mecanismos automáticos, por vezes incompreensíveis, encarregar-se-ão de propiciar lições de aprendizagem de que o espírito, nessa circunstância, necessite.

Nesses casos, encaixam-se os reencarnantes oriundos de estupros e outros “acidentes” semelhantes. O suicídio é um exemplo do algo não planejado antes da encarnação e que é uma forma de alterar o planejamento.

Em princípio tudo pode ocorrer, desde que esteja dentro das leis naturais. O processo reencarnatório se opera dentro das leis de sintonia entre espíritos e dentro das leis biológicas da hereditariedade. Assim, supondo que espíritos caracterizados como obssessores, estejam afinizados com o casal, e, se não houver proteção por parte de espíritos que se interessem pelo par, pelo menos teoricamente, isto seria possível. No entanto, as circunstâncias que cercam a ligação, mesmo fortuita entre duas pessoas são muito difíceis de serem analisadas. Mesmo que tal fato se dê, não sairá nunca das condições de afinidade e de merecimento que envolvem todos os espíritos afetados. E sendo assim, está tudo dentro da Lei, mesmo não sendo especialmente previsto.


REENCARNAÇÃO: Chave Perdida

O livro Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier, esclarece que efetivamente a Doutrina Espírita interpreta a passagem do “nascer de novo” do Evangelho de João, como o princípio da Reencarnação, elucidando ainda que a “idéia da Reencarnação vem de remotas civilizações e é a verdadeira chave que nos abre a compreensão de muitos problemas humanos.” Conclui Emmanuel: “Contudo, a Religião Cristã, adaptando-se aos formalismos hebraico-cristãos, perdeu a chave que Jesus de Nazaré lhe havia deixado em suas palavras e atos.”

Dessa maneira, o objetivo da existência física numa encarnação é a superação da condição humana através das reencarnações na Terra e em outros mundos habitados para atingir a Espiritualidade. Estamos diante uma teoria Espírita, a Teoria Espírita da Evolução e Imigração dos Mundos, que explicita que o Homem, através da sucessão de vidas na Terra e em outros mundos habitados material e espiritualmente, se reintegre na Evolução Cósmica.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O que o Espírito Sente Quando Ainda está Ligado Fluidicamente ao Corpo

 Deuza Nogueira

Rio de Janeiro


Quando falamos em percepção dos espíritos após a desencarnação, estando ainda fluidicamente ligados ao corpo físico, não podemos esquecer o quanto as impressões da vida material reagem sobre o espírito.
Se uso um anel durante certo tempo e em determinado dia deixo de usá-lo sentirei grande falta e perceberei "a marca do uso" em meus dedos. Se eu uso um agasalho durante algumas horas, ao retirá-lo, demorarei alguns minutos para me acostumar com a ausência do mesmo.
Imaginemos, então, o que sucede com a "marca do uso" deixada no espírito pela freqüência da utilização do corpo físico. Nós gostamos, usamos, nos acostumamos e nos confundimos tanto que chegamos a pensar que somos o corpo.
Logo, será muito natural que o desligamento automático funcione ainda em regime de exceção em nosso planeta. Nós, espíritos imortais, ligamo-nos ao corpo através de laços, fios magnéticos que funcionam como grandes centros de forças condutores das sensações de um ponto a outro.
Em nossa vida, pelo gosto de viver, pelo apego que cultivamos ao próprio envoltório material, estreitamos muito os citados laços, que só são afrouxados em situações em que a atividade orgânica é minimizada: sono físico, doenças, meditação, grandes emoções ou choques em que a atenção da criatura é desviada do próprio interesse de sobrevivência.
Assim, a desencarnação não significa um desligamento rápido do corpo nem dos aspectos relacionados ao mesmo. Na Natureza, o espírito de seqüência é lei. Logo, o desligamento vai se processando paulatinamente, exceção feita às mortes bruscas em que os laços fluídicos são como que arrancados, fato que causará sempre um grande desconforto ao espírito.
Nos casos, portanto, de desencarnação por processos naturais observamos que os laços são desatados à medida que o corpo vai morrendo, gerando o esfriamento das extremidades, o entorpecimento dos sentidos físicos, a falta de comando sobre o próprio corpo, o descontrole das funções vitais.
Neste momento, o espírito possui liberdade para optar: permanecer apegado, vivenciando todo o processo da desorganização do organismo ou relaxar diante do inevitável e observamos que, em alguns casos, o próprio espírito ajuda a desatar determinadas ligações fluídicas. (t)

Perguntas/Respostas:

É sempre muito conturbado o desligamento do espírito após a morte do corpo físico?
Não. O processo ainda não é tão simples, devido ao nosso estágio de compreensão. Contudo, à medida que vamos entendendo os processos da vida e os mecanismos da desencarnação, poderemos nos trabalhar para este momento, criando, desde agora, hábitos saudáveis de vida mental. (t)
O que seriam estes “hábitos saudáveis de vida mental”? Seriam os conceitos da "Saúde Holística"?
Sabe aquela antiga recomendação de Jesus: "Viver no mundo sem ser do mundo"?
É termos a consciência de que somos espíritos usufruindo algum tempo na vida física, com todos os bens que ela nos oferece, mas que a nossa natureza é a espiritual. E, por mais que amemos o próprio corpo, pessoas, coisas e situações, não poderemos "carregar" ou "sobrecarregar" nossa “economia” com estes elementos, porque, senão, ao invés do enriquecimento pela experiência, estaremos nos ligando a grilhões demasiadamente pesados, que nos impedirão o vôo rumo à nossa própria natureza.
Daí a necessidade de vivermos intensamente a vida, conscientes de que o mais importante não é a coisa em si, mas as marcas da experiência libertadora, prazerosa, agradecida que ficarão gravadas em nosso ser. Isto fará com que construamos uma mudança do ponto de vista em relação à vida material e suas conseqüências. (t)
Por que o espírito, quando muito apegado às coisas materiais por toda a vida física, é de praxe que sinta a decomposição do corpo físico após a morte deste?
Jesus um dia falou que onde estivesse o nosso tesouro, ali estaria o nosso coração.
Ora, se temos como único referencial para o ato de existir a vida física, todos os nossos sentimentos, pensamentos, vontade e emoções estarão confinados neste tesouro, que, em momento algum, desejaremos abandoná-lo.
Assim, somos nós mesmos que QUEREMOS assistir a todos os fatos que envolvem nosso grande e único tesouro: o corpo físico. (t)
Divaldo P. Franco diz que morrer e desencarnar são coisas completamente diferentes. Você concorda com isso?
No dizer de Divaldo, morrer indica a cessação da vida orgânica e desencarnar seria o desligamento de todas as circunstâncias da vida material, inclusive do próprio corpo.
No caso do suicida, observamos que o corpo já está morto, mas o espírito ainda experimenta todas as sensações que ocorrem com ele, como se ainda estivesse encarnado. (t)
O espírito pode ter sensações como uma "segunda morte", por sentir uma necessidade exacerbada de comer, beber, tomar banho, etc.?
Para quem entende a satisfação das necessidades da vida material como único meio de vida, a recordação destas necessidades serão atordoantes e, dependendo do merecimento e da situação mental do espírito, poderão ser sentidas como uma "segunda morte". (t)
Os espíritos quando estão próximos ao desencarne sofrem algum aviso, ou alguma preparação anterior pela espiritualidade?
Depende do espírito. Poderemos ver duas questões:
A primeira está ligada ao preparo do espírito. É a chamada maturidade do senso moral a que se refere "O Evangelho Segundo o Espiritismo";
A segunda está ligada aos fatores merecimento e utilidade.
O espírito pode merecer, mas este conhecimento pode não ter nenhuma utilidade para a “economia” da alma. Por isso é que esta informação é sempre um tanto quanto vaga, imprecisa, para que o espírito não venha a tomar decisões precipitadas ou apavoradas, em virtude da sua desencarnação.
Afinal, uma coisa é certa: todos iremos desencarnar em algum momento. (t)
Como é o impacto que sente o espírito, quando desligado do corpo físico, através do sofrimento de seus entes queridos?
Nós vivemos em grupos, onde estabelecemos ou revivemos relações afetivas. Em pouco tempo, através do convívio, aprendemos a registrar e agir dentro do estímulo que o outro nos oferece. Imaginemos, então, o "banho" de sofrimento enviado por um ser querido!
É preciso ser bem superior para ajudá-lo através da certeza da imortalidade da vida sem envolver-se e sentir-se prejudicado, revoltado pelo afastamento temporário. (t)
O simples fato da não aceitar que haja uma vida ativa após à morte pode dificultar o espírito a se desprender do corpo?
Sim. Se a criatura tem como único referencial a vida material, logicamente, ela não desejará se desprender daquilo que ela considera como seu único bem. Logo, ficará ligada ao corpo físico até a última "gota" de fluido vital e após este fato ainda permanecerá mentalmente ligada a ele. (t)
Quanto tempo de espera deve se dar antes de cremar um corpo, sabendo-se que nem sempre o espírito se desprende imediatamente do corpo, sem necessariamente ser inferior?
Existe um dispositivo legal em que o corpo fica 48 horas até a cremação.
Observamos que esta lei foi inspirada pelos benfeitores espirituais, pois a grande realidade é que ainda não conseguimos detectar nosso grau de apego e ligação magnética com o corpo físico, daí a grande necessidade da oração, das palavras de estímulo ao espírito que está ingressando na vida espiritual. (t)
Mas a cremação pode afetar o espírito de alguma maneira?
Se o espírito estiver muito ligado ao corpo físico vai doer e a sensação de dor, como já estudamos, é um registro arquivado no espírito. Não podemos desconsiderar, porém, a grandiosidade da misericórdia Divina, o trabalho abnegado de trabalhadores espirituais e do próprio guia do desencarnante, para que o processo seja o mais ameno possível. (t)
Esse tempo é satisfatório na visão espírita?
Chico Xavier informa-nos que 72 horas seria o tempo ideal, mas 48 horas com oração, equilíbrio emocional e fé na vida futura, com certeza, promoverão a mobilização das grandes equipes socorristas responsáveis pelo processo de desencarnação para que tudo corra bem. (t)
O livre arbítrio é absoluto?
O livre-arbítrio é um instrumento da perfeita lei de Deus. Logo, ele será relativo ao grau de desenvolvimento e aperfeiçoamento do espírito. Ninguém forneceria absoluta liberdade de escolha a um bebê recém-nascido, como não tolheríamos a liberdade do homem adulto de caráter nobre. Imaginemos Deus através da perfeição da sua Lei. (t)
E no caso da doação de órgãos se passaria o mesmo como na cremação? Ou pelo fato da doação ser um ato de amor o espírito não passa pro privações?
No caso da doação de órgãos, por ser um ato de amor, temos a certeza que os espíritos ligados à doação de amor estarão durante todo o tempo amparando a família e o próprio doador. Há na literatura espírita (não me recordo exatamente a obra) o caso do jovem que foi o primeiro doador de um coração para o primeiro transplante.
É belíssima a atitude de socorro magnético e esclarecimento espiritual que o jovem recebe, liberando-o de toda a dor e desconforto que seriam normais nestes casos. (t)
não haveria uma contradição em termos, com relação ao “livre-arbítrio”?
A Lei Divina existe para a felicidade do homem. Ela não tem um caráter punitivo. Assim, o homem totalmente livre cometeria desmandos que acarretariam grandes sofrimentos. A limitação do livre-arbítrio ao grau do desenvolvimento e entendimento do espírito é como se fosse uma "conspiração ao acerto".
Logo, o espírito terá o material exato para o seu progresso no momento certo, mas, mesmo assim, pode desviar, usar mal, jogar fora esta oportunidade. Nisto consiste seu livre-arbítrio. (t)

sábado, 28 de janeiro de 2012

AS VIDAS DE JÉSUS GONÇALVES


O ÓDIO = O TERROR = O INIMIGO
Alarico, O Grande, general e chefe maior dos Visigodos, esmagou Roma no início do século V. Treinado nas técnicas da guerra dentro do Império Romano devastou a Trácia, a Grécia e a Itália, marcando o fim de uma Era.
Acreditava ter o mundo aos seus pés.
Em encontro com Santo Agostinho, então bispo de Hipona, no ano 410 D.C., diz quando este vai pedir humildemente ao cruel general que não seja impiedoso na invasão a Roma, oferecendo em troca a sua própria vida em favor do povo romano: "Eu sou o teu Deus, não me fale em nome de outro Deus...”.
No entanto, o encontro com o Sacerdote Santificado, suas palavras inspiradas nos ideais cristãos, marcaram de alguma forma a alma do guerreiro, como semente de misericórdia que só viria a amadurecer séculos e vidas mais tarde. Naquele tempo, apesar de todo ódio e sede de poder e de conquista do general, ocorreu que durante a sangrenta invasão a Roma os Templos Cristãos da cidade foram misteriosamente poupados e o povo da cidade, inclusive os pagãos, pôde buscar proteção naqueles Templos.

Após o saque, Alarico ficou pouco tempo em Roma. Seu fascínio pelo poder leva-o a tentar dar o último golpe no Império e ele parte em direção à África. Com essa conquista ele seria confirmado como o mais poderoso imperador da Terra, naquele tempo.
No entanto, uma forte tempestade destrói seu exército e Alarico morre pouco depois, em Cosenza (Itália). Seus soldados, para evitar a profanação de seu túmulo, enterram-no no leito do Rio Basento, matando posteriormente os escravos usados para desviar o rio a fim de que não revelassem o local do sepulcro do guerreiro.
Desencarnado, defronta-se, na Pátria Espiritual, com o horror dos seus crimes. Por pedido seu e com a concórdia das Esferas Espirituais, volta a Terra como Alarico II, novamente no comando e no seio do seu próprio povo. Apesar de todo arrependimento vivenciado no Plano Espiritual, não se desvencilha de sua ânsia de poder e glória e acaba sucumbindo a esta prova.

A INSISTÊNCIA NAS TENDÊNCIAS INFERIORES
Suas tendências inferiores ainda estavam muito arraigadas na essência de sua alma. Investido dos mesmos poderes de sua encarnação pretérita, não consegue ainda desta vez, refrear as inclinações ambiciosas de seu caráter, sucumbindo às promessas de redenção consignadas no Plano Espiritual. As guerras e conquistas territoriais continuavam sendo seu móvel principal, muito embora não conservasse mais, em grau tão marcante, a crueldade com que na existência anterior escrevera páginas negras na História Universal.
Seus domínios abrangiam a Espanha (exceto a Galiza), a Aquitânia, o Lanquador e a Provença Ocidental.
Alarico II desencarna na batalha de Vouillé (próximo a Potiers, França), travada em 507, contra o então rei dos Francos, Clóvis, pela posse da Aquitânia (sudoeste da França).


A próxima encarnação que se conhece desse Espírito é em terras francesas como o poderoso Cardeal Richelieu. Investido de grande poder, defendeu o absolutismo real e foi, por 18 anos, o homem mais poderoso da França, como primeiro-ministro.
Nascido em 9 de setembro de 1585, estudou os princípios do Cristo na Igreja Católica, onde atingiu alta posição perante o clero, mas se destacou mesmo como político e estadista, se tornando uma das mais notáveis figuras do regime monárquico francês, cujas mãos duras e inteligentes detiveram o poder político da França, acima mesmo do rei Luís XIII.
Homem de ação, militar completo, católico fervoroso e político de extrema habilidade, soube contornar todas as intrigas e se manter no poder, conservando a confiança do Rei até o fim de seus dias. Assim estabeleceu as bases do absolutismo real francês, e suas obras foram posteriormente estudadas por Luís XIV, Napoleão Bonaparte e pelo general de Gaulle. A razão do Estado era sua razão de ser: não teve piedade daqueles que, em sua opinião, enfraqueciam o reino da França.
"O homem é imortal, sua salvação está no outro mundo; o Estado não, sua salvação é agora ou nunca."
“... para mim existem dois deuses: Deus e a França."
Em encontro com São Vicente de Paula, o Cardeal ouve o pedido amoroso do Santo dos Pobres: “Clementíssimo Senhor, dá-nos Paz, tem compaixão de nós”.
 Dá paz a França!
Mas não se deixa tocar: seu zelo excessivo e terrível pelo seu país e pelo seu governo foi capaz de justificar aos olhos dos homens, que o temiam e o admiravam, as guerras internas e externas pelas quais a França, nação então hegemônica na Europa, enveredou em nome de ideais estadistas fanáticos, colocados acima de todos os ideais humanos, proporcionando espetáculos de sangue e deixando muitos povos na miséria.



A GRANDE REGENERAÇÃO DO ESPÍRITO PELA DOR E PELA MISERICÓRDIA DE DEUS
Início do Século XX, a Pátria do Evangelho recebe este espírito comprometido com a Lei de Deus em busca da sua pacificação através de provas ásperas e redentoras, chagas redentoras...
A Lei Divina dá-lhe nova chance e nascido no Brasil, em 12 de julho de 1902, deixa a todos nós o legado da conversão pela dor e a certeza da misericórdia do Pai de que a travessia para a luz, apesar de todos os nossos crimes de sempre, é inevitável. A Lei de Amor se expressa no arrependimento e o arrependimento expressa-se na reparação.

O Poeta das Chagas Redentoras



Jésus Gonçalves nasceu no dia 12 de julho do ano de 1902, em Borebi, interior de São Paulo. E logo, aos três anos de idade, sua mãe desencarna por conta de um tumor no intestino. A maior parte de sua infância, ele passa em Agudos - pequena cidade próxima à Borebi -, tutelado pelo tio.

 Com quatorze anos ele volta, com sua família, para a sua cidade natal, onde começa trabalhar temporariamente na Fazenda Boa vista, como cultor e beneficiador, ora de algodão, ora de café. Foi nessa época também que ele tem uma pequena iniciação na música e começa tocar um velho "baixo de sopro". Assim ele forma uma pequena banda, com o nome de "Bandinha de Borebi".
Seu espírito de liderança e sua personalidade marcante fazem-no ficar conhecido no vilarejo. Sempre se esforçava para que as quermesses e festas locais obtivessem um grande êxito.
Aos 17 anos muda-se para Bauru, onde freqüenta um colégio - Colégio São José - por algum tempo, não o suficiente para conseguir o diploma do ginásio.

Trabalhando como Tesoureiro da Prefeitura, já com seus 20 anos, Jésus casa-se com Dona Theodomira de Oliveira, viúva com duas filhas. Oito anos depois, em 1930, ela desencarna por causa de uma tuberculose, deixando-o sozinho, cuidando de seis filhos.



 Nessa época ele, além de trabalhar na prefeitura, Jésus participa da "Jazz Band de Bauru" - como era conhecida a banda da Prefeitura de Bauru - tocando clarinete. Ainda nas artes, ele também atuava e dirigia peças de teatro, de autoria própria, nos teatros de Bauru e de cidades vizinhas. Paralelamente a essas atividades, Jésus Gonçalves, como apreciador de poesias e prosas, colabora com grande freqüência, com os jornais "Correio da Noroeste" e "Correio de Bauru".

As ARTES: ferramenta-bálsamo para a redenção


Outrora o terror, a apreensão... Hoje a alegria, o riso, a confiança.
Jésus, à direita, já com a doença: clarinetista da Jazz-Band de Aymorés.

 "A teu mando, milhões de açoites erguiam-se, abrindo feridas, mutilando membros, promovendo aleijões, desconjuntando corpos. Aniquilaste a alegria de viver de dezenas de cidades levando a apreensão e o terror a simples aproximação de suas tropas. Para o resgate de tais violações receberás as Artes por ferramentas, que te permitirão recompensar o terror de outrora, pela alegria do divertimento sadio que proporcionarás aos povos das cidades em que habitarás. Porém não as receberás de forma facilitada, não, porque não haverão facilidades para ti. A espiritualidade estará assistindo teu reeducar e colocará em teu caminho as oportunidades, mas competirá a ti aproveitá-las ou não."

 Algum tempo após o desencarne de Theodomira, surge uma companheira: Anita Vilela, sua vizinha, que lhe ajudava a cuidar do lar. Eles se envolveram e casaram-se, uma união sincera que duraria 12 anos, até o desencarne de Anita.
Vem então a grande provação na sua vida: aos 27 anos é acometido pela Hanseníase, popularmente a lepra. Ele não compreenderia naquele momento, mas era cobrado dele um tributo por reencarnações passadas. Jésus, ateu e inconformado, busca dominar a dor no seu coração e as rudes condições que recaem sobre um leproso: a rejeição e o abandono da sociedade. É obrigado a entregar as filhas do primeiro casamento à tutela de parentes e parar suas atividades profissionais que preenchiam sua alma inquieta e sequiosa de trabalho. Mas ele sofre muito: era muito difícil para ele enfrentar a nova e difícil situação.
Naqueles tempos, os doentes eram obrigados a abandonar seus empregos e viverem isolados da sociedade, trancados em suas casas ou então em leprosários. Como bom cidadão, respeitador das normas e leis, Jésus se afasta da sociedade, como era determinado pelas normas médicas em vigor na época. Os filhos mais novos, que ainda continuavam com ele, não entendiam a súbita parada nas atividades. Aposentado prematuramente passa a viver em uma moradia cedida temporariamente pela Câmara Municipal. Apesar disso continua a escrever para o "Correio da Noroeste".
João Martins Coub, um amigo que compreendera o sofrimento de Jésus, cede-lhe um espaço de sua fazenda, e lá ele se dedica ao trabalho do lavradio, cultivando melancia e outras frutas, com a mesma fibra de sempre, buscando nesta atividade afogar a mágoa que a doença lhe impunha.
Mas foi por pouco tempo: em agosto de 1933, ele é recolhido pelo Serviço Sanitário e é internado no Asilo-Colônia Aymorés, recém-inaugurado em Bauru. Por esperar por esse momento, Jésus não apresenta resistência para a internação, o que causa surpresa aos funcionários da Saúde Pública, que normalmente enfrentavam grande resistência dos doentes. E apesar da reação resignada e de conformismo, é nessa época que ele se questiona sobre Deus: "Onde estava o Deus de que tanto se falava?" e entra num momento de revolta íntima.
Na Colônia Aymorés, em Bauru, onde fica de 1933 a 1937, Jésus mostrava-se mais resignado com a convivência com os semelhantes e irmãos na dor, e é chamado de "mestre" por sua imensa disposição e capacidade de trabalho. Num curto espaço de tempo, internado no asilo, Jésus consegue várias amizades sinceras.
Apesar da revolta e das frustrações, ele nunca se deixou levar à ociosidade e ao desânimo. Participa da criação de um pequeno jornal interno do asilo: "O Momento"; escreve e participa de peças teatrais; ajuda na criação do "Jazz Band de Aymorés"; e participa da equipe de futebol.

 A inquietude da alma, que outrora foi motor de ódio e guerras em vidas pregressas, hoje movia-o para trabalhos edificantes, construindo obras, levando-o a busca até a conversão...

Na época, Jésus sofria muito com problemas no fígado e buscava a transferência para o Hospital Padre Benta em Guarulhos, que possuía fama de oferecer melhores serviços médicos. Mas suas cartas paravam nas mãos do Diretor do Sanatório Aymorés, que não queria perder seu mais ativo e dinâmico interno. Em setembro de 1937 consegue driblar todos os empecilhos e obtém a transferência para "Padre Bento". Mas não conseguiu chegar até lá: durante a viagem, as dores no fígado o obrigaram a parar em Itú para receber assistência médica, e ali ficou no Hospital de Pirapitinguí, convencido pelo diretor do hospital, com promessas de melhores cuidados médicos.


Em Pirapitinguí, Jésus logo se revela o mesmo indivíduo de destaque, um líder natural entre os internos, conquistando logo a admiração e o respeito pelo seu caráter reto e íntegro e pela sua capacidade de realização e trabalho.
Fundou ali a "Jazz Band”, a Rádio Clube de Pirapitinguí (existente até hoje) e um jornal interno, o "Nosso Jornal".
Mas doença avança lenta e penosamente, tomando-lhe o corpo, e os medicamentos se tornam cada vez mais inoperosos. A dor, a angústia e a solidão levam o indivíduo a buscar Deus. Com Jésus Gonçalves não seria diferente, mas ele O nega ainda, procurando-O somente nas vestimentas do trabalho, da atividade artística, da criação.
Ninita, uma amiga do hospital a quem posteriormente se uniria em matrimônio, era estudiosa da Doutrina Espírita e tentava inutilmente esclarecer a mente materialista do ateu Jésus.
Jésus com Ninita, última companheira de Jésus.

 Em 1943 Anita desencarnou, e no velório da mesma aconteceram diversos acontecimentos mediúnicos de clarividência de alguns colegas seus e finalmente Anita passou uma mensagem para ele de uma forma bastante íntima onde Jésus não teve dúvidas da veracidade das informações: "Velho, não duvides mais, Deus existe!".
Extremamente materialista ainda, mas bastante impressionado, buscou nos livros Espíritas as explicações para o contato. O Céu e o Inferno, de Allan Kardec, foi o marco inicial da grande transformação que ocorreria em seu ser.
Sua conversão definitiva ocorreu certo dia em que suas dores no fígado se apresentavam bem mais fortes que de costume. Os remédios não surtiam efeito e resolveu então chamar por aquele "deus" no qual ainda não acreditava: retirou um copo de água da talha, colocou-o na mesa da cozinha, e desafiou:
– Se Deus existe mesmo, dou cinco minutos para que coloque nesta água um remédio que me alivie a dor!
Quando bebeu a água sentiu que estava totalmente amarga. Chamou um companheiro que confirmou a alteração da água. Após 2 minutos nada mais sentia em dores, e ficou ao mesmo tempo agradecido e espantado. Reexamina então as suas bases materialistas e nos dias seguintes, já com suficientes provas e chamamentos, pôs-se a buscar nos estudos de obras espíritas as respostas que sempre procurou.
"Dor-auxílio": por duas vezes, suas dores no fígado mudaram totalmente o rumo da sua vida.

A Doutrina Espírita saciou-lhe a sede de explicações, fez-lhe beber nas fontes da lógica e do bom senso, a água límpida da Verdade. Buscou elucidar seus companheiros e irmãos na dor com a noção de Justiça Divina e submissão a dor, e como sempre, tudo fazia junto aos internos para melhoria da vida comunitária no Hospital. Nesta época, rejeitou o apelido "mestre", pelo qual era chamado desde Aymorés, devido a sua reconhecida superioridade intelectual e temperamento de líder.
Dedicou-se então, com o mesmo empenho que lhe era característico da alma, a construção e edificação de um centro espírita em Pirapitinguí. Devido à falta de recursos, buscou ajuda junto às comunidades espíritas para a construção do centro e estabeleceu um elo sem precedentes entre os leprosos e a sociedade. Sua iniciativa desperta os companheiros de Doutrina em diversas localidades, e as respostas não tardam a chegar, emprestando solidariedade moral e material à Campanha. Diversas caravanas Espíritas passaram a visitar o sanatório, levando alegria e conforto aos internos. Estas caravanas pioneiras abriram novas frentes de trabalho, não só aos praticantes da Doutrina, mas incentivando também outras religiões em iniciativas semelhantes.
Fundou em 1945 a "Sociedade Espírita Santo Agostinho", após muito estudo e superação de grandes dificuldades, que também trouxeram amizades e solidariedade de muitos que o apoiaram nesta época. Jésus participou ativamente das atividades do "Santo Agostinho", sempre movimentadas por um espírito de ação e dedicação sinceras: distribuição de sopa aos mais necessitados do Hospital, palestras de estudos e elucidação dos companheiros, orientação espiritual, sessões de desobsessão.
A doença, já em estado bastante evoluído, tirava os movimentos de Jésus, tomando-lhe a capacidade de trabalhar e de estar fisicamente nas atividades do "Santo Agostinho", que tanto lhe preencheram a alma nesta fase da sua vida. Porém tudo fez para não se afastar do trabalho, e construiu uma casinha nos fundos do centro.
Vinte dias antes de desencarnar, um fato marcou profundamente Pirapitinguí e o coração dos espíritas: com a doença já tendo lhe consumido todo o corpo, e também as cordas vocais, foi à sessão espírita e para a surpresa das 300 pessoas presentes, os Mentores da Casa devolveram-lhe a voz e aí fez uma preleção de quase 2 horas de elevados ensinamentos evangélicos. Ao término da preleção Jésus simplesmente perdeu novamente a voz. Na semana seguinte, o fenômeno se repetiria pela última vez.
 Ele sofreu muito nos últimos dias, o seu corpo estava completamente deformado pela doença, seu rosto transfigurado e seus órgãos começaram a parar. Apesar das tentativas médicas, e lentamente desligava-se do corpo físico. E sua alma então libertava-se de sua existência árdua e espinhosa, mas, sobretudo, purificadora. Pelo sofrimento, pôde encontrar o caminho que nos leva à Cristo, e pelo trabalho pode plantar novas sementes na sua história. Em 16 de fevereiro de 1947 desencarna Jésus Gonçalves, o Apóstolo de Pirapitinguí, o Poeta das Chagas Redentoras.
Jesus Gonçalves, depois de desencarnado, pediu que lhe chamassem Jésus, pois achava-se indigno de usar o mesmo nome de Jesus.
A COMPROVAÇÃO DA VIDA APÓS A MORTE

Jésus envia a Chico Xavier os mais variados relatos da vida espiritual, inclusive da sua própria vida. Também enviou mensagens e poemas, cumprindo o que disse a Francisco Xavier, poucos dias depois de desencarnar.
Março de 1947 - Sem saber que Jésus Gonçalves havia desencarnado Francisco Cândido Xavier, reunido em Pedro Leopoldo, recebe a sua visita.
Os dois nunca haviam se encontrado, mas trocavam intensa correspondência e nestas cartas, Jésus sempre falava a Chico que o visitaria. Nesta noite, Jésus diz a Chico: “... Vim ver você! quero escrever por você..." Muito emocionado Chico recebe um poema. No dia seguinte, o Sr. Cardoso, um dos presentes, vai a Pirapitinguí e lá recebe a notícia, do desencarne de Jésus, a menos de um mês.

O primeiro contato espiritual entre Jésus Gonçalves e Divaldo Pereira Franco.
"De súbito, eu vi chegar um ser espiritual com características para mim até então jamais vistas: apresentava profundas marcas na aparência física. Um dos pés, que parecia ter os dedos amputados, estava envolto em gaze, com uma deformidade visível...”

A ALMA DO GRANDE POETA APÓS A MORTE
O Cego de Jericó
Sim! Somos cegos de espírito! Vivemos nas sombras dos caminhos da vida, como mendigos de ilusões quiméricas, como mendigos de uma felicidade que não sabemos encontrar, porque não sabemos defini-la.
Muitas vezes, nas encruzilhadas dos caminhos tortuosos, nos sentimos vencidos pelo cansaço, acabrunhados pelas desilusões, esmagados pelas dolorosas decepções. Somos cegos tateantes, que vamos e vimos, sempre pelos mesmos caminhos, num horroroso círculo vicioso.
Então, nessas horas de suprema angústia, lembramo-nos de que o meigo Rabi que curou a cegueira material do cego de Jericó pode iluminar o caminho do nosso espírito atormentado. E queremos gritar: "Jesus! Filho de Davi! Tem compaixão de mim".
Mas... Quando pensamos em nos valer do Divino Médico, eis que uma multidão de vozes nos manda calar.
Vozes sinistras, que reboam dentro de nós mesmos, com o imperativo de uma força dominante!
E ante essa multidão de monstros, constituída de nossos vícios, dos nossos mil defeitos, da nossa imperfeição moral, do nosso desejo de acomodação com os bens efêmeros e transitórios da vida material, nós nos calamos, acovardados, incapazes de fazer partir de nosso coração o grito de angústia salvador!
Sabemos que o Mestre pode nos curar. Sabemos que Ele está junto de nós, bondoso como sempre, pronto para a aplicação do "passe magistral"! Mas sabemos, ou fingimos não saber, que é necessária a energia moral do cego de Jericó.
Assim, pois, se não quisermos permanecer no vai-e-vem das curvas tortuosas, tapemos os ouvidos ao sinistro clamor da multidão nefanda e procuremos o Celestial Enviado, que habita conosco.
Procuremos Aquele que é o "Caminho, a Verdade e a Vida": aquele que pode curar o corpo e o espírito e, tapando os ouvidos às seduções deste mundo, aos preconceitos e acomodações, aos interesses mesquinhos, gritemos cada um de nós, com a força de nossa angústia, do nosso desespero, do nosso desejo de luz:
– Jesus! Meu Senhor! Põe sobre mim tuas divinas mãos e aclara o meu caminho, como o fizeste ao cego de Jericó!